Por catorze anos criamos as vitrines d’O Boticário. Primeiro, na correria, pras poucas lojas de Curitiba, na época. Depois, numa correria ainda maior, pras mais de mil lojas em todo Brasil e até no exterior. 

Era um trabalho lúdico, que buscava transmitir o conceito que a marca procurava expressar: natural, artesanal, artístico e com certa brasilidade e que por ironia, parece que agora está procurando expressar novamente.

Tendo o Dia das Mães, como parâmetro, segue o registro de algumas dessas antigas vitrines criadas, de Curitiba pro mundo. Normalmente, cada tema de vitrine era criado em quatro ou cinco cores diferentes para comporem melhor com as diferentes linhas de produtos. 

A primeira, um dos primeiros trabalhos realizados, transmitia uma poesia melancólica e romântica, juntando a chegada do outono, com um buquê de flores, talvez esquecido, à uma mãe, talvez perdida, repousado sobre um banco de praça. Galhos secos de árvores, britavam do chão da vitrine.

Na segunda, um piano tocava uma melodia com notas perfumadas e soltas em homenagem à mãe, que se materializa em flores que saiam do seu interior. 

Um toucador imaginário, com a presença de um vaso de fores, inspirado no perfil do famoso frasco, um colar de pérolas e um porta-retrato. Lembro bem do dia da apresentação do projeto à rede. Alguém fez uma crítica, pois achou a mãe muito velha. Quando disse que a foto era de minha própria mãe e que ela adorava ganhar presentes da marca, a pessoa se calou. 

Uma jovem mãe e sua filhinha numa bergère, ao lado de uma mesa lateral, onde o abajur é o próprio frasco de perfume com a cúpula floral adaptada.

Uma mãe de ar angelical, num passeio. Chapéu de palha com flores e tem seu bebê junto de si.

Uma jovem e elegante mãe e sua filhinha caminhando num parque florido próximo à uma balança. 

No ano da sétima foto, o Dr. Botica, personagem imortal criado por minha amiga e grande designer e artista Tere Zagonel, foi utilizado, numa grande troca de roupas, que durou o ano todo. Aqui ele, de concertista, faz sua homenagem às mães, de fraque e violino.

A mãe sagrada, foi homenageada numa apresentação com um toque clássico e artístico.

Na nona foto, a primeira divulgação feita dos trabalhos de preservação da natureza patrocinados pela Fundação, foi feita nas vitrines. Na aquele ano, cada data foi vinculada à uma ação. Em maio, uma garça do Pantanal alimentava seus filhotes no ninho. 

Um projeto inovador e maluco, juntava luz própria e movimento à vitrine, graças a um pequeno motor importado. Em cada evento havia uma peça que se movia. Nesse, uma mãe abraçada por seu filho em meio aos presentes que giravam ao seu redor.

As vitrines ganharam espaço na fachada das lojas e conquistando tamanhos maiores. Uma mãe moderna e seu bebê, frente a um campo florido, flutuava no espaço. 

Vivíamos o amanhã, sempre de olho no calendário, pra dar conta do que tínhamos que criar, produzir, embalar, despachar e rezar pra que o correio e trocentas transportadoras entregassem tudo, são e salvo e principalmente, a tempo.

Um tempo que não volta mais…